quarta-feira, 21 de outubro de 2009

indivi-DUALISMO

Bons ventos. Bem vindos.
O último texto foi a chuva que trouxe. Hoje começo com uma frase que ouvi dentro do ônibus dois ou três dias atrás, enquanto outra chuva ameaçava começar a cair. Não virou temporal, foram só pingos e leves e nada mais. Eis a frase de uma senhora: "Podia pelo menos esperar eu chegar em casa pra começar a chover". Não vi o rosto da moça nem o tipo físico. E a chuva nem me interessava tanto no momento. Ainda estava com a janela aberta, não me incomodava em nada. Mas a frase ficou na cabeça.

Já molhei demais na última postagem, portanto dessa vez o assunto é a a voz da mulher ressoando na varanda. Fiquei me perguntando: quem seria aquela mulher a quem a chuva devia esperar chegar em casa para começar a cair? Por que logo ela? Seria uma escolhida pelo céu para comandar o tempo? Teria ela uma varinha mágica que, quando apontada para o céu, o tempo mudava conforme sua vontade e naquele dia a tal varinha estava em casa e uma criança brincando com os poderes mágicos? Com quem exatamente ela falou isso? Será que ela estava presente na criação do universo e aprendeu a criar a chuva? Tinha feito chapinha naquele dia? Ou será que era só uma senhora muito individualista? Vou escolher a última opção...

Já ouvi essa mesma frase inúmeras vezes saindo da boca de minha progenitora, não nego. Mas só quando essa voz disse isso reparei na indivualidade que ela traz. A chuva deve esperar que ela esteja protegida, já quanto aos demais... Molhem-se, fiquem ilhados, inundem suas casas, afoguem-se com cada uma das gotas, percam seus bens depois de temporais, fiquem resfriados e gastem com remédios, percam o incrível e caro resultado da chapinha marcada no salão há 15 dias. Entendi tudo isso naquela frase. Me senti ameaçado e preocupado. Será que foi comigo? Não, não exatamente. Foi comigo e com o resto do mundo. Mas, cara senhora desconhecida, fique sabendo que o resto do mundo, em algum momento, já desejou o mesmo pra ti.

Existem situações em que quase qualquer um esquece que o resto do mundo existe e só pensa na própria vida, ainda que isso interfira na vida dos demais. Indiretamente. Quantas vezes um barulho na casa do vizinho incomoda a ponto de querermos explodir a casa ao lado? Coitado, só está montando uma nova estante comprada em 12 vezes. Por que um acidente com um parente próximo e não com o chefe rabugento do escritório? Logo o chefe rabugento que não dirige embriagado como aquele parente... É a privação da felicidade alheia para nossa própria felicidade.

Queremos que o mundo faça tudo à nosso favor, que embeleze nossa vida, ainda que, volto a repetir, nem lembremos que há necessidades em volta no nosso umbigo. Não queridos, se alguém pode viver com muito conforto, viva. Mas que esse conforto não venha da infelicidade alheia. Ou que venha, se você definitivamente não é um humano direito. Quem sou para saber o que é agir corretamente ou não... Mas desconfio do que seja certo e do que seja errado. As aulas de Moral servem para alguma coisa. A vida serve para alguma coisa. As vidas servem!

Volto a imaginar a senhora da frase no ônibus, a toda poderosa, senhora tempestade... Será que ela se sentiria mal em saber que alguns não conseguiram sobreviver àquela que poderia virar tempestade? Sentiria pena? Mostraria tristeza? Compaixão? Diria "uma pena, coitado, por que não me mandou em seu lugar"? A mesma individualista, momentos depois pode se mostrar a mais "grupal" das criaturas, que só vive em comunidade e interage com todos, tratando a todos como trataria a si própria... Nossos personagens, nossas faces más e boas...

São momentos de ódio profundo, de alegria extrema, de individualidade, de companheirismo, de sim, de não, de posso, de não posso, de simplicidade, de vaidade... Pessoas diferentes uma das outras e inúmeras diferenças dentro de si mesmas... Momentos.. como cantava Raul "se hoje eu sou estrela, amanhã já se apagou; se hoje eu te odeio, amanhã lhe tenho amor... eu sou ator"

Não dói pensar na frase da senhora, confesso, foi uma frase tão simples, sem pensar muito... só segui até meu ponto, fechei a janela, dei o sinal, o ônibus parou e desci. Nada me aconteceu, acho que a chuva resolveu ser boazinha comigo... não molhou tanto.

Confesso.. não pensei nos que ainda ficaram no ônibus.

Acabo de me preocupar, o que será que aconteceu? Ah, não ouvi notícias.. acho que posso deitar tranquilamente a cabeça no travesseiro.


Já nossos companheiros do Executivo... não sei não, hein... vejo notícias todos os dias nos jornais...

Até a próxima. Bons ventos.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Chove lá fora e aqui...

Sete dias depois da última postagem, uma nova aparece. O número 7... Bem, pra mim não significa nada, foi apenas para iniciar a conversa. Ma se alguem de vocês, queridos leitores, se interessa por numerologia e prevê que com isso minha vida pode mudar, favor informar...

Como sempre, até por ser o nome do blog, foi o vento que me trouxe aqui para escrever e fazer idéias voarem. Mas o vento de hoje é diferente. Está acompanhado com a chuva. Escrevo isso porque hoje choveu muito por aqui e cheguei à conclusão de algo que já vinha desconfiando há tempos: o guarda-chuva serve apenas para proteger a sobrancelha durante essas grandes "quedas d'água".

A chuva chega e quase sempre não estamos preparados para ela. Não queridos, não vale dizer "tô sempre preparado, ando sempre com sombrinha na bolsa", isso é nada. Quem chegou primeiro, a água ou nós? Até onde entendo somos nós que devemos nos adaptar a ela... Pois bem, a chuva começa a cair, pequenos pingos, leves, sutis, nem assustam a quem precisa ir de um lugar a outro. "Essa é a chuva? Vou fácil..", diz algum suposto corajoso. Instantes depois e as gotas já estão mais largas e o volume muito maior. Vem o vento junto. A água batendo em telhas começa a fazer o som necessário pra mostrar a força da chuva. Agora o corajoso já não tem tanta coragem como tinha antes quando a chuva parecia um pequeno impecílio. A chuva aumentou e ainda há necessidade urgente de ir de um lugar para outro.

Ahá! Um guarda-chuva! Uma sombrinha! Uma arma, capa protetora do mal que a chuva pode trazer. Não, não adianta. Hoje vi que guarda-chuvas não servem para nada, ou quase nada já que protegem bem a sobrancelha.

A calça começa a pesar com a água que ela já tem. A camisa idem. Meias com dois litros de água cada uma. Tênis que parecem bacias de pedicures.

Mas no fundo a chuva que por uns istantes te deixam irritado por estar todo molhado, instantes depois te transformam numa pessoa melhor, com uma energia diferente. Um contato involuntário com a natureza que hoje some das cidades. O vento que te molha com a chuva é o mesmo que seca a roupa no varal depois. O ar que movimenta e faz mover a vida.

Leitores amigos, todos passam por chuvas quase do mesmo tamanho da contada na estória de Noé e saem com sorrisos nos rostos. A chuva passa tão rápido se levado em conta o tempo que o vento fica batendo até secar tudo e depois de secar continua soprando...

Cai chuva forte dentro dos bancos, dentro do senado, dentro do país, dentro das estações de trem no Rio de Janeiro... Chove dentro de mim, chove dentro de você, dentro de quem você ama. Mas o vento vem, o vento virá. Melhor acreditar nisso...


Mas se você disser que o número 7 significa que a afta que tenho na boca nesse exato momento vai sumir assim que eu acordar, por que não acreditar também?


Sigam sonhando e sentindo o vento bater na cara ou te molhar com a chuva. E acreditando.
Acreditando que aqui na varanda o vento sempre faz bem.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

E a boa nova andar nos campos

"Quando entrar setembro e a boa nova andar nos campos, quero ver brotar o perdão onde a gente plantou juntos outra vez..."
Setembro? Sim, setembro meus caros. Essa não é a melhor canção para o primeiro dia após setembro terminar. Seria esperança demais por um novo setembro ou seria um problema forte na cabeça que me faz achar que setembro está chegando e não acabando de ir embora? Bem, queridos leitores, penso que um pouco dos dois e mais outras coisas.

A música é de Beto Guedes e Ronaldo Bastos, para começar dando os devidos créditos. Hoje, primeiro de outubro, setembro acabou de ir embora. Foram 30 dias para escrever sobre o mês e, agora que acabou, aqui estou para falar dele. Não é algo como um conselho de classe das escolas nem um relatório de serviços feitos durante certo tempo. É só um mês que se foi e outro que chega.

Mas e quando entrar setembro? O mês traz a primavera (ou deveria trazer, em teoria, já que as mudanças climáticas andam estranhas), as flores, a beleza. É o tempo de renascer, de ressurgir, apagar a feiura das folhas caídas e levantar-se novamente, belo e forte. A primavera, tema de inúmeras poesias e canções. Sempre com uma metáfora tal qual em "primavera se foi e com ela meu amor". O que era belo acabou. Mas quando entrar setembro.. tudo vai mudar. Vai sim. Setembro vem aí.

Será que em 2001 aquelas pessoas imaginavam que quando setembro entrasse elas morreriam e o fato seria notícia em todo mundo? Imaginavam, provavelmente, que setembro entraria e, com as flores, mais vida. Nunca imaginariam que quando setembro entrasse e elas entrassem em um prédio um avião também entraria. Algo surreal ao pensar na poesia da primavera. "E a boa nova andar nos campos". Qual foi a boa nova nesse mês daquele ano? Sonhos que se foram em um setembro. "Muitos se perderam no caminho", continua a canção. A perda faz parte. Assim como aquelas pessoas foram para um lugar ainda desconhecido por nós, muitos setembros também se perderam no caminho.

E a indepêndencia que o mês trará? Ah, aguardo com ansiedade por isso. Quando entrar setembro a independência brasileira será total.. O sétimo dia do mês 7 do antigo calendário. O Brasil livre! Pensavam nisso meses antes da proclamação? Foi um setembro marcado na história e lembrado até hoje com aqueles desfiles políticos com crianças torrando no sol...

Quando entrar setembro... Setembro se foi. E é verdade aquela máxima "só damos valor depois que perdemos"?. Creio que sim em diversas situações. Setembro passou e nem percebi como foi bom pra mim. Agora foi embora e vejo que sinto falta dele... Mas a vida é assim. Vai embora um mês e vem outro. Outubro. Mas setembro voltará. Ainda terei chance de dizer a ele como foi bom pra mim.

Minha gente, nós somos os meses! Nós fazemos as primaveras e os outonos! As situações que a vida traz. Aguardamos por setembros, por janeiros, por novembros na expectativa de sermos melhores e aproveitar tudo que ele pode nos trazer e não fazemos. Pra que fazer já que logo logo outro mês de igual nome chegará?

E quando setembro chega e quer mudar tudo na sua vida? O que fazer? A primavera quer trazer uma nova flor que não estava nos planos, quer transformar, quer com uma brisa leve jogar o frio que existia para longe e plantar cores, perfumes. Esquecer tudo o que aconteceu no outono, quando as folhas estavam caídas, e correr em busca de uma flor? UMA flor apenas e nada mais. Você escolhe ou o vento te leva para o melhor caminho.

Siga suas estações e colha o que cada uma pode trazer. Aguarde setembro chegar com a primavera que você pode ter. Uma estação precisa da outra para existir. Assim somos também. Aguardamos a próxima sem saber o que pode chegar. São as surpresas, os encontros, os desencontros. Vamos aguardar setembro chegar então para ver a beleza da vida. Mas não esqueça que os outros meses sentem ciúmes, aplaudamos cada um deles quando chegarem e quando saírem, peçamos, façamos agradecimentos...


Setembro se foi e com ele o ENEM... Será que esperavam por isso? Uma virada de página gigante no último minuto do segundo tempo. É setembro com sua mania de mudar tudo de uma hora pra outra... Acostume-se.



Te vejo na varanda, com textos melhores que esse, espero...

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Uns tais versos mudos

Oi queridos senhores, senhoras, moças e rapazes, parece que aquela máxima de "no início tudo são flores" vale para esse humilde blog. Antes era uma postagem atrás da outra, um atropelando o outro.. e agora grandes espaços entre eles... Ah, acontece. Fazer o que... digamos que o relacionamento com o blog "caiu na rotina", já que é a desculpa mais usada. Mas diferente do que se espera o relacionamento não terminou. O caiu na rotina foi só desculpa pronta... então, o relacionamento continua e venho escrever... prontos? Vamos lá.

Ontem e hoje já ouvi as mesmas duas músicas várias vezes. E uma frase de cada uma delas me trouxe aqui. Parece que as letras se completam em algum ponto. E o ponto é esse: onde tudo se completa?

Não quero discutir gostos musicais nem saber se tenho bom ou mal gosto para música. Não sou grande fã de nenhuma das duas cantoras mas, como já disse, essas duas músicas estão ecoando aqui nos meus pensamentos. Marjorie Estiano e a recém descoberta pela grande mídia Myllena. As músicas são "Versos mudos" e "Quando".

Como na grande maioria das letras cantadas por pessoas com algum equilíbrio mental, essas duas trazem aparentemente o tema amor. Mas como não estou nem aí para o que aparentam trazer, quero continuar escrevendo os trechos que me chamam atenção. Não, não sou um robô sem coração que não se sensibiliza com músicas referentes ao amor. Só não quero falar sobre isso agora. Por enquanto. Ah, e quanto ao equilíbrio mental? Se eu quis dizer que alguém que canta "créu, créu, créu, créu" é desequilibrado? Você acha mesmo que eu diria isso? Sim, é isso que eu acho... passemos então.


"Quem será que pode completar esses versos mudos que escrevi?"
Gente, minha gente e gente que não é minha, escrevemos versos o tempo todo! Sou assim. Todos somos poetas. São poesias sem rimas, sem métrica, mas são poesias. São poesias com "pobremas" de escrita e de fala, são poesias ricas, pobres, gordas, magras, feias, bonitas, lindas. Poesias sem papel, sem caneta, sem lápis, sem tijolo. Somos poetas. Vivemos. Cada atitude, cada pensamento... um verso novo na vida.
Quantas vezes queremos falar e não falamos, queremos ouvir e não ouvimos, ver e não vimos... São os versos mudos. Eles existem. Mas são mudos! E agora? Bem, precisamos de alguém pra entender o verso. Alguém pra completar o verso. Um verso escrito apenas e nunca lido não é um verso completo. O brilhantismo da poesia está em sair de um lugar e tocar outro, tocar aquele que lê.
E esse "leitor" é o que falta em tantos e tantos momentos da vida. Uma emoção que passe daqui pra lá, de lá pra cá. Uma rima que nos encontre. Que termine o já iniciado. Um retorno.
Procuro as vezes alguém que complete alguns versos e fico em dúvida sobre quem rimaria melhor. Penso, repenso, vou ali, vou lá, apago, pronto! Sei quem pode rimar essa palavra melhor.

E a outra música me traz um "Você me acompanhava e me daria a mão?"
Você tem certeza de uma resposta positiva para essa pergunta feita a quantas pessoas? Esse trecho me fez parar para pensar nisso. Quem me responderia sim na mesma hora sem saber o destino do "acompanhamento"? Ainda não faço ideia...
Dar as mãos é o gesto mais sublime e bonito de mostrar "estou contigo" .. pra mim tem um significado de "pronto, me leve junto". Acompanhar não é só ir junto. Além disso é ajudar a crescer no caminho e ajudar a caminhar, não importando o que aconteça.
Quantos respondem "sim, te acompanho."...


Acho que a resposta para os versos mudos está nessa mesma pessoa que te acompanha e te dá as mãos. Não quero que pareça algo romântico com sons de violino... Mas uma pessoa que em certo momento te dá as mãos para chegar em algum lugar conseguiu completar os versos que faltavam. Conseguiu trazer a rima certa.
Uma senhora dá a mão a um garoto para atravessar a rua. A companhia dura até o outro lado. Lá as mãos se desencontram e os caminhos seguem. Mas os versos que a senhora fazia naquele instante foram preenchidos quando o garoto se ofereceu para ajudar a atravessar.
Um projeto aceito! Um aperto de mãos para parabenizar o jovem engenheiro. Seus versos de insegurança estão preenchidos agora.


Brasília tem tantos versos mudos. O estado tem tantos versos mudos... A cidade! Oh, e agora, quem será capaz de completá-los?
AH, mãos de alguns políticos não são tão confiáveis... não acompanhe qualquer mão por aí...

Te encontro na varanda!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Brava gente brasileira...

Olá a todos os leitores da varanda! Estive sumido, não pela gripe suína nem por outras questões de saúde, o problema é que os estudos e o trabalho enrolam a gente as vezes. Bem, sem mais delongas vamos ao que interessa...

Hoje, 7 de setembro de 2009, como em todos os anos, comemora-se o dia da independência do Brasil, ou seja, o dia que o Brasil deixou de ser colonia de Portugal e se tornou uma nação. Mas relatos mostram que o acontecido pode não ter ocorrido como imaginamos, como aquele belo quadro da Independência de Pedro Américo, que mostra D. Pedro em cima de um belo cavalo e que várias pessoas contestam dizendo que ele estava montado em um burrinho. Além de outros pontos que se formos colocar aqui em discussão o meu texto pode ficar maior do que os textos do meu amigo Fred... (rsrsrs)
Pois bem, o que me intriga é que nos dias de hoje ninguem mais sabe o que representa esse dia para nós, as crianças não sabem mais cantar os hinos municipais, estaduais e até nacional, que dirá o da independência que é cantado apenas uma vez no ano. Crianças vão para a avenida para marchar e o que se vê é uns olhando para o céu, outros acenando para um amigo que o gritou, uns mascando chiclete com a mão no bolso e até sambando.
Por outro lado não tiro muito a razão das crianças, porque o Desfile Cívico hoje em dia é mais um comício com propaganda das realizações do governo X e do goerno Y e enquanto as crianças estão debaixo de um sol escaldante os políticos, que a cada dia que passa estão menos desacreditados, ficam no palanque, com água gelada, cadeira e na sombra. Se virmos por esse lado, com a festa sendo para os políticos, seria muito melhor ficarmos em casa vendo TV porque graças ao nosso amigo Sarney, Lula e outros da turma de Brasília, e daqui da cidade também, a política está virando um monte de ... Prefiro não comentar...rsrsrsrs

Um abraço a todos e até a próxima (espero que bem próxima mesmo) aqui na varanda!!!


terça-feira, 25 de agosto de 2009

Arquivo Brasil

Primeiramente as devidas desculpas aos leitores pela desatualização diária do blog. Parece que restou apenas minha pessoa para digitar idéias e fazer a varanda ter movimento. Como fico ocupado boa parte do dia e com preguiça em outras partes, não consigo escrever sempre. Mas escreverei sempre que possível, prometo.

Editorial feito, vamos ao caderno principal e à matéria de capa...

Um final de semana cheio de emoções. Criança esperança na tv, Rubinho campeão depois de anos e, no fim da noite, o miss universo.

O dicionário diz que emoção é uma "perturbação súbita ou agitação passageira causadas pela surpresa, medo, alegria, etc." Quanto ao show da solidariedade, que na noite de sábado foi diferente de todas as outras vezes, já que o casal Huck estava lá ocupando um posto que antes cabia exclusivamente ao querido e inesquecível Didi, a agitação passageira acontecia. Artistas e mais artistas subindo ao palco para cantar, dessa vez de verdade, soltando as vozes, e a plateia ia ao delírio. Confesso que não assisti tudo, tive coisas mais interessantes a serem feitas na noite de sábado.

A emoção do show, de ver os artistas se apresentando, talvez tenha maior valor que o tal espírito de solidariedade. Os vários projetos mantidos com aquele dinheiro arracadado em ligações tem a missão de educar e formar um futuro melhor. Será que o dinheiro conseguido nas ligações consegue mesmo mudar o futuro? Bem, o dinheiro consegue comprar até mesmo a chave do céu... um futuro bom não é nada perto disso. Dá para comprar com o troco. Ano que vem tem mais então. Mais emoção e mais solidariedade. Mais artistas. Mais dinheiro. Mais futuro.

O domingo chegou pra mim faltando 6 voltas para o final do GP. Ainda com sono achei que fosse sonho ou não estivesse enxergando bem. Mas não, era o próprio e incansável Barrichello na primeira posição. Fiquei com receio de o sonoplasta da tv não conseguir encontrar a tempo o Tema da vitória. Já fazia certo tempo que não era usado... podia muito bem ter destruído ou esquecido a pasta onde estava guardado. Mas deu tempo. Rubinho venceu e a música tocou novamente trazendo a emoção para os brasileiros fãs de fórmula 1.

Pode ser que tenha vencido por medo. Medo que os outros competidores tiveram. Uma peça solta no carro de Rubens e adeus ao piloto seguinte. Pode ser essa a explicação. Ou não. Rubinho sempre é motivo de piadas e sempre será. Mas é um incansável. Não é o melhor do mundo e acho que está longe de ser. A emoção dele foi pela surpresa.

Na noite aconteceu em algum lugar do mundo o concurso de beleza sem muita beleza, o Miss Universo. Venceu a miss Venezuela. Parabéns pra moça de 18 anos. Nossa representante brasileira foi eliminada bem antes de chegar aos finalmentes da competição. A emoção aqui está nelas e em seus amigos e familiares. Não pensei em chorar ou me alegrar com a vitória ou não da representante de nossa terra. Na verdade nem sabia quem era a moça que teve que ouvir um "você está demitida" no concurso organizado pelo Donald Trump, chefão de todo e qualquer aprendiz. Mas que houve emoção não podemos negar.

Aprendiz. Estamos num país cheio deles. Os que acham que já são Trump ou Justus estão longe disso. João Dória está assumindo o cargo de Justus mas nem por isso é o maior sábio do país. O dinheiro não compra essas coisas.

Eu aprendo o futuro ofício de jornalista dia após dia. Aprendo a ser filho. Aprendo a falar. Aprendo a ouvir. Aprendo cada dia mais sobre eu mesmo. Todos aprendizes. Os artistas, o público, o futuro do país, as crianças esperanças, o Didi, o Rubinho, a miss Brasil, eu, você, o Mercadante...

Uma postagem inteiramente brasileira sem futebol. Pra mostrar que não precisamos de homens correndo atrás de bola para nos orgulhar da nação ou odiá-la. Para estampar no peito o verde e o amarelo. Para ter como ídolos os homens que ganham milhões e correm atrás da bola. Podemos lembrar do país em um único final de semana. Pensar no futuro, pensar na velocidade e nas mulheres guerreiras, as verdadeiras "misses".

Mísseis? Duas torres estão lá em Brasília.
Quer falar de futebol? Agora?... Ih minha gente, chegou no final...
Ok, arquiva aí que resolveremos depois...

Coloca na pasta do Sarney que fica mais fácil encontrar na hora da vitória sem esperar do Brasil.

Aquele abraço. Bons ventos.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Vento em volta

Senhoras e senhores leitores. Moças e rapazes. Se é para o bem de todos, ou ainda, se é para o bem de poucos, digam ao povo que voltamos.
Eis o dia do Volto!

Atendendo às instruções do Ministério da Saúde nos afastamos do blog. Por ser um local público com movimento de pessoas vindas de várias partes do país, decidimos que seria melhor evitar o contato. O uso de máscaras não seria apropriado. É um blog. Não precisamos de máscaras. Podemos mostrar quem somos sem medo. Nossas opiniões. Então hoje voltamos. As aulas também voltaram. Só peço que grávidas leiam rápido, pois disseram que há maior risco...

Voltas são sempre cheias de novidades, surpresas, curiosidade.
Volta às aulas nas primeiras séries são sempre iguais: faça uma redação sobre suas férias. Nunca tive muito o que falar nessas redações e nunca achei que a professora deveria saber o que fiz nas férias. Justamente nas férias. O período que você até esquece que tem uma professora e vive feliz, esquece que tem uma escola, e logo no primeiro dia ela já lembra das tais férias. Bate uma saudade...

Voltar de uma viagem gera o interesse das pessoas próximas. Querem saber como foi. Querem ver fotos... Voltar de um show, a mesma coisa.

Voltar a encontrar uma pessoa que estava a muito tempo longe. Um amigo que se distanciou. Um abraço forte. Voltar em casa porque esqueceu um papel e perder o ônibus... Nem toda volta é feliz.. Ela se distanciou da familia e só voltou para ver o pai em um caixão. Uma volta dolorosa. Voltar para casa com um bebê nos braços. A esperança de um futuro. O cuidado. A volta.

Voltar exige cuidados! Nem sempre conseguimos voltar pelo mesmo caminho que fomos. A rua está intransitável, houve um acidente. Uma volta gigante deve ser feita para voltar ao lugar de origem. Voltar das drogas. Voltar para casa e ficar lembrando dos momentos que acabou de viver com a pessoa amada. Agora que cada um está em sua casa só resta o pensamento e a espera por outro encontro.

Voltar é lembrança! Lembrar do passado próximo. Lembrar das férias ou da viagem. Lembrar que esqueceu o maldito papel que te fez perder o ônibus que sofreu um terrível acidente. Voltar a viver. Lembrar que é amado. Lembrar do amor. Lembrar do amor da sua vida. Relacionamento terminado e um dos dois quer voltar. Voltar nem sempre é possível em alguns casos.

Voltar nem sempre é possível! Obstáculos que caem e... e.. ei, espere...
Voltar nem sempre é possível?
Tudo é possível! Basta que entregue a chave de casa, um carro, todo seu dinheiro e qualquer outra coisa que tenha no bolso nesse momento e alguém é capaz de achar um lugarzinho pra você. Um jeito de voltar... não é meu esse pensamento. Esse pensamento é universal! Que tal, bons entendedores? Querem voltar? Se alguém quiser passar a sacolinha...

Voltando ao blog, vou terminar por aqui. Muita coisa ainda pra escrever nesse período de volta mas não caberia tudo em um post, num só dia... Portanto, continuem conosco.

O vento sopra forte aí fora. Aqui na varanda é mais gostoso... pode chegar...


Ah, e tem a última...
Uma mulher está grávida de 12 bebês na Tunísia. Fiquem imaginando a volta dela pra casa depois dos nascimentos...

terça-feira, 28 de julho de 2009

As "ESTRELAS" dos prontos socorros!


Algumas doenças são como atores e atrizes de televisão. Certas épocas estão em alta por estarem fazendo novelas ou filmes, ou seja, por estarem na mídia. Outras vezes nem se houve falar neles, ficam sumidos por um bom tempo.
Mas isso não acontece apenas com astros de TV, acontece também com algumas doenças, isso mesmo, e a dengue é uma delas. Até pouco tempo ela estava no auge, toda hora aparecia na televisão, mas depois do aparecimento da gripe tipo A h1n1, mais conhecida como gripe suína, tudo mudou.
Antes os hospitais ficavam cheios de pessoas que estavam mal graças a dengue, morriam por causa da dengue e se contagiavam com a dengue. Hoje é diferente, quando aparecem os sintomas, todos se preocupam que seja a gripe suína, se são internadas a primeira coisa que querem fazer é o exame para saber se é realmente a gripe suína, e quando morrem procuram saber se a culpa não é da tal gripe suína.
Mas isso acontece com freqüência no Brasil, cada doença tem seus “15 minutos de fama” e depois é substituída por outra que tenha aparecido mais recentemente na mídia mundial. Vamos torcer para que assim que a gripe suína “saia de moda” a dengue não volte a brilhar nas telinhas.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Ensaio sobre...


Recentemente li o brilhante 'Ensaio sobre a cegueira' do genial José Saramago. Diferente de tudo que havia lido antes foi essa obra. O começo da leitura de Saramago causa desconforto pela não convencional forma de escrita. A pontuação a princípio causou uma confusão, confesso, mas o desconforto inicial passa a ser conforto quando a obra começa a envolver. A história daquelas pessoas sem nomes. A história daquelas pessoas em um lugar qualquer do planeta. Comecei a me transportar para o livro e depois de certo tempo de leitura o medo de cegar subitamente já estava em mim de tão envolvente e real que é aquela ficção. Logo depois que acabei de ler assisti o filme baseado nesse romance.

Com direção de Fernando Meirelles, o filme em nada deve ao livro. O mundo que criei pra mim ganhou as imagens que havia imaginado. O longa segue fielmente o roteiro/livro. Aos que ainda não assistiram nem leram, ficam as dicas.

Rapidamente: na obra, o mundo passa por um surto de cegueira. As pessoas ficam cegas de um segundo para outro. Deixam de enxergar e passam a viver com uma explosão de luz dos olhos. Sim, a cegueira não é a escuridão, as personagens enxergam uma luz branca que nunca apaga. E a cegueira vai contagiando as pessoas, uma por uma. Por contato ou mesmo sem encontrar com alguém contagiado a humanidade ficou cega. Sem mais detalhes sobre essa parte, mas a partir do momento que consideram como um surto de cegueira os problemas começam a aparecer. Problemas que antes não existiam. Uma luta pela sobrevivência sem se apegar a imagens. Os contagiados eram excluídos da sociedade e ficavam separados da parte humana que enxergava.

Agora vejo notícias sobre a nova gripe. Gripe suíne ou nova gripe, tanto faz. Um vírus da gripe que em algum momento ficou diferente dos demais. O mundo muda, tudo muda. Um vírus também muda... Não quero comentar nada sobre formas de contágio ou prevenção e nem sei ao certo número de mortes confirmadas ou com suspeitas do tal vírus. Em nada interessa nesse texto essas informações.

No começo de tudo podia parecer divertido para os estudantes: uma escola suspendeu as aulas por um aluno estar com suspeita do vírus. Oba! Sem aulas. Sem aulas para que o já possivelmente contagiado não passasse o vírus aos outros. Não é um motivo tão grande alegria assim. Aconteceu em uma escola, em duas escolas, em três escolas... milhares de alunos sem aulas. Tudo para evitar contato com o contagiado ou com o memso ar que o contagiado respirou.

Fotos mostram diariamente pessoas com máscara cirúrgica para se protegerem do vírus. Locais lotados de gente. Lotados de gente que precisam estar naqueles locais lotados mas não querem a gripe. Usam a máscara. A simples e comum máscara que por sinal até onde sei não serve para proteção contra a nova gripe. Um se protegendo contra o outro. Contra o que o outro pode lhe causar.

Poucos minutos atrás fiquei sabendo que algumas diaceses paulistas já recomendam que os fiéis não se toquem durante as celebrações. Tudo para evitar o contágio.

Parece que Saramago estava possuído de uma cegueira que vê o futuro quando inspirou-se para escrever a obra citada. Excluídos do convívio social ficaremos. O medo aumenta e a humanidade diminui. Será que há necessidade de ficarmos cegos por trás de máscaras cirúrgicas?

Antes que digam: não, não sou nenhum super heroi mega ultra protegido contra vírus, não é isso. Apenas acho em alguns casos um exagero midiático. Um exagero humano. Exagero político.

Enquanto isso aguardamos o fim da obra que Saramago previu. Aguardaremos o momento em que os gripados, desde um simples resfriado, fiquem em abrigos convivendo uns com os outros. Sobrevivendo. Aguardemos até que o primeiro espirro venha sobre nós. Até que a tosse chegue e a cegueira, não branca nem negra, não nos olhos, mas com máscara cirúrgica nas vias respiratórias, tome conta.

Atchim!
"Sua visão de mundo nunca mais será a mesma"

Saúde!

Te vejo na varanda. Se a gripe não nos pegar também...

segunda-feira, 20 de julho de 2009

O que diz a foto?


Bom eu resolvi fazer uma brincadeira aqui no Blog. É assim, vou colocar uma foto aqui e vocês irão tentar adivinhar e até criar uma notícia para ela. No final do dia eu revelo o que ela diz. Certo? E vocês também podem puxar a brincadeira colocando a foto de vocês. A única regra é que não vale ficar fuçando na internet para descobrir que notícia é. O legal é colocar a criatividade para fuincionar. Acima está a foto.