terça-feira, 20 de abril de 2010

Oi Varanda;

Véspera de feriadão, eu não sei colocar imagens aqui no blog, estou trabalhando ou deveria estar. Faz calor nessa cidade pacata em que vivo, as pessoas passando ali na rua e eu pensando em quantas histórias passam por nós todos os dia escondidas em membros, artérias, veias, sangue e bla bla bla...

Uma senhora entrou aqui hoje para perguntar sobre aposentadoria. Isso foi a única coisa que ela não perguntou.
Começou falar de sua filha, falecida a dois anos em um acidente de moto. Chorou, se desesperou, se indignou e foi embora.
Não a conheço, nunca a vi, mas percebi que naquele momento eu era o que ela tinha, talvez tenha visto em mim, a menina de 20 anos que a deixou tão cedo.

Agora no twitter, acontece um "barraco", Bruno Mazzeo, filho do nosso querido Chico, disse: Luan Santana é vesgo! Foi o suficiente para milhares de fãs de Luan Santana "cairem de pau" em cima do humorista. O humorista então, começou retrucar e desde ontem não se fala em outra coisa no twitter.
Marcius Melhem ao invés de ajudar, disse: Se eu dissesse que não é o Luan que é vesgo e sim os seus fãs que são surdos, o que aconteceria? Aconteceria não, aconteceu!
Os mesmos fãs se revoltaram contra ele também.
Pessoas que nunca trocaram um "oi" com o "Meteoro da Paixão" o defendem como se fosse um irmão. Um compadre, como diria meu pai.

Coloquei os dois casos pra percebermos que as pessoas se envolvem com os problemas dos outros, uns mais sérios, outros nem tanto. Afinal de contas, chamar alguém de vesgo é uma ofensa tão grande assim? Ou ofensa é uma mãe perder a filha por demora no socorro? Não há comparação mas há sentido.
As vezes vemos no problema do outro, um problema nosso que desconheciamos.
Aprender assim é tão bom!
Fiquei imaginando minha mãe no lugar dela e eu gostaria muito que alguém desse colo pra ela. Foi o que eu fiz. Junto com a minha chefe, rs! (os amigos de blog entenderão o riso. rsrs), ajudamos e acalentamos essa pobre criatura que hoje se diz caminhar sozinha.

O Brasil é um país tão grande, cheio de coisas maravilhosas, tem que haver esperança também. Vai melhorar, precisa melhorar!

Aprendi ontem que só conhecemos o outro quando nos conhecemos, e que somos incebergs, o que está por fora é infinitamente menor do que temos dentro de nós. Pratiquei hoje o ato da doação, e como é bom ver alguém sorrindo pra você pelo simples fato de estar ali.
Já que a vida é um self service, comecemos hoje nos servir de coisas boas, coisas produtivas.
A vida ta aí e até que nos provem o contrário, é uma só!

Bom apetite e aos parceiros de blog, boa pescaria.
Bons ventos a todos!

quarta-feira, 3 de março de 2010

Perto da janela

Dizem que o ano começa depois do carnaval, não sei se é a realidade mas aproveito a deixa como desculpa para a falta de postagens. Penso que não seja a verdade, desde a última vez que escrevi aqui, quase nas últimas horas do último ano, muitas coisas aconteceram. Pouco tempo depois a chuva caiu e com ela alguns morros que destruiram uma ilha em Angra, aconteceram terremotos, começou mais um big brother, terminou A Fazenda, uns tais Solitários começaram e terminaram... e ainda teve tempo do carnaval existir no meio de tudo isso... Parece que entre os shows da realidade, foi a realidade que deu um show nesse recesso de início de ano prolongado. Sabem aquela de "só o tempo vai calar a minha dor"? Não tenho dor nenhuma, mas amigos, qual dor se calará primeiro? A das famílias destruídas ou do perdedor da prova do líder? Ah, não vim falar sobre isso... Oh, falando em calar a dor, já ia esquecendo... começaram nesse tempo também os campeonatos de futebol..
Na verdade, antes deste post já tentei algumas vezes escrever, mas perdia a ideia e já era... Mas como o ônibus é a minha sina e se acreditasse em outras vidas começaria a pensar na possibilidade de ter sido motorista no passado, foi uma notícia que vi hoje que me trouxe aqui. Contava que um homem foi assassinado por negar um pedido de outro. O pedido? Fechar a janela do ônibus pois estava ventando frio... O moço da janela se recusou a fechar e por esse motivo perdeu a vida.

Músicas, televisão e ônibus. Cheguei à conclusão que são esses três elementos que me fazem escrever mais. Na verdade, são o que eles trazem. É uma pena saber que não posso apenas escrever sobre "eu sei que vou te amar, por toda a minha vida eu vou te amar", sobre entrevistas do Roda Viva e sobre as pessoas que falam coisas engraçadas perto de mim enquanto vou de um lugar ao outro... é uma pena que às vezes exista necessidade de citar um "vou te comer, vou te comer, vou te comer", modinha do carnaval, citar uma entrevista que não acrescenta nada do superpop e citar as coisas não tão boas que acontecem dentro de um ônibus.

É assim dessa vez. Gente, a que ponto tudo chegou? A humanidade, a violência, a incapacidade de um diálogo, a falta de entendimento.. É um ponto que podemos começar a não querer o vento batendo na cara pois o moço do corredor está armado. É um ponto que o diálogo não mais existe. É um ponto que tentar convencer ou ainda compreender o motivo de uma janela aberta não faz a menor falta. É um ponto que o último ponto da sua vida pode ser um ponto de ônibus.

Uma das coisas que tentei escrever certo dia e não consegui terminar foi sobre a minha incrível dificuldade com finais que percebi dias atrás. Tenho dificuldade com o fim de um ciclo e o início de outro. Não sei se medo, receio, vontade de que aquele que está acontecendo não acabe.. não sei, mas tenho essa dificuldade com certos finais. Sim, tudo um dia chega ao fim e assim tem que ser para que a humanidade evolua.. para que nós consigamos evoluir. Se minha alfabetização um dia não tivesse chegado ao fim eu não chegaria ao último ano do ensino fundamental e não teria sofrido com o fim deste para chegar no ensino médio. Se o ensino médio não chegasse ao fim, não estaria hoje em um curso superior. Há necessidade dos finais para a evolução. Tenho dificuldade, mas é preciso! O que tem acontecido é que alguns finais não precisam existir para a humanindade evoluir. Toda regra tem uma excessão, certo? A gentileza não precisa ter fim, o entendimento não precisa ter fim, a compreensão não precisa ter fim... Aquela vida, penso eu, não devia ter fim naquele momento.

A novela terminou ontem com um título sugestivo: Poder Paralelo. Parece que é isso que tem valor e que não deve ter fim.. o poder. O poder do assassino está na arma, sem ela ele é tão "fraco" quanto a vítima. Um tinha o poder de abrir ou fechar a janela, o outro tinha o poder de pedir e tentar convencer. O primeiro pode abrir mas não pode fechar. O segundo preferiu mostrar que era mais forte. Depois disso, saiu e fugiu.

Quando sentar no lado da janela? Quando sentar no lado do corredor? Um medo novo pra nossa coleção: medo de fechar a janela ou deixar aberta quando alguém pedir. E ficar sem o vento? Ah não.. sem o vento não... o vento que chega tão bom aqui na varanda, que traz e leva as coisas.. o vento que ele sentiu no rosto pela última vez.

Que o vento não leve essa mesma ação quando alguém do corredor pedir um pão e o ser humano da janela não der; quando o da janela se recusar a emprestar o celular; quando pedir para ler uma frase e o outro não conseguir... Pode ser que ele se recuse a ler por ser analfabeto, mas os humanos fortes, aqueles do corredor, não ligam para isso.. é um detalhe... Enquanto isso os humanos da janela vão sofrendo, vão morrendo, estão sumindo...


Mas o vento está aqui, o vento esteve lá... Seria culpa do vento? Não, não... ele não escolheu onde ficar..

Abraços, bons ventos.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Amigo bichOculto


Penúltimo dia do ano 2009 d. C. e eu aqui voltando a escrever. Aos que sentiram falta, desculpa. Aos quem não sentiram.. desculpa também. A amiga blogueira Marina acertou, estavamos enrolados com trabalhos de faculdade.. depois disso foi só preguiça mesmo..

Enfim, penúltimo dia de um ano maravilhoso para uns, não tão maravilhoso para outros. Percebi que esse final de ano foi diferente de todos os outros 18 da minha vida: não ouvi tanto a Simone cantando seu "então é natal", o que já pode ser considerado um progresso e quebra na tradição, um milagre natalino talvez... aguardemos agora pelo fim do especial do tal rei da música brasileira que em todos esses 18 finais de ano que já passei vem cantando "emoções" em todas as edições.

Minhas participações no humilde blog talvez devessem ganhar outro nome no próximo ano. Sair da varanda, embora o vento aqui seja muito agradável, e passar a ter algum nome relacionado aos ônibus, pois, pra variar, contarei algo que vi novamente dentro de um. Mas não, queridos leitores, isso não acontecerá. É uma das "promessas" de final de ano que nunca se cumprem, como regime que maria iniciará, como o manuel que vai parar de fumar, como a aninha que passará a estudar mais... são as promessas furadas, então, o vento continuará soprando lá dentro do ônibus e vindo aqui pra varanda. Da varanda não saio, da varanda nenhum ônibus me tira.

Vamos lá? Final de ano, dezembro.. o mês que todos se amam, todos se cumprimentam, beijos, abraços, desejos de dias melhores, trocas de presentes. São amigos ocultos, amigos incultos, amigos explícitos, inimigos ocultos, inimigos disfarçados como amigos... enfim, tudo faz com que dezembro traga sorrisos aos que tem muito e aos que tem pouco. Certo? Errado! A história que vi de dentro do ônibus aconteceu poucos dias atrás, portanto, nesse mês de amor. Duas mulheres aos gritos na calçada, o ônibus parado e eu assistindo pela janela. Os gritos continuaram e os tapas começaram. Assim foi também com os puxões de cabelo. Disso para uma jogar a outra no chão foi um segundo. Um rapaz foi separá-las e uma delas disse "não se mete, ela é minha irmã". Aparentemente a outra não estava sóbria. Três crianças estavam perto e uma deles, um menino, um pedaço de gente, do alto de seus talvez 9 anos solta a frase assim "tô cansado dessa merda!". O ônibus foi embora e o mundo continuou...

Gente, leitores, blogueiros, não vou dizer que sou a pessoa que mais pensa nos outros, que mais está pronta pra ajudar e sofrer pelo semelhante, sei que não sou... mas isso me chamou atenção. Será que aquele "pedaço de gente" não é mais gente que as duas grandes? Penso que sim... E ao mesmo tempo, se as grandes ficarem fizendo isso perto do menor, o que será a vida dele quando maior? Aquele é o exemplo de amor, de clima natalino? Não seria capaz de reconhecer aquele menino novamente, mas a expressão daquele rosto ficou na minha cabeça...

Aos que não conhecem, vale a pena duas músicas: uma composição de Abdullah que fala sobre paz e outra do Rosa de Saron, "Mais que um mero poema". Agora fico com a primeira e deixo um trecho:

"...é a eterna luta que existe entre o bem e o mal. Uns fazem banquete, outros comem lixo. Que será o homem? Quem será o bicho? Mas que mundo é esse que a gente tá tentando salvar?"

Não sou capaz de salvar o mundo nem quero ter tal responsabilidade, mas penso que sou capaz de salvar um pedaço mínimo. Será que aquele menino tentou salvar o mundo delas? Será que elas estão destruindo o mundo dele? Tenho dúvidas... Quem será o homem? Quem será o bicho? Quem ali pensa? Quem não pensa?
E a eterna luta entre o bem e o mal não cessa... por isso dezembro não é o mês mais lindo e amoroso de todos. Tal mês nem existe... as aparências enganam.. os amigos são ocultos.

Como pretendo voltar a escrever mais vezes por aqui, aqui encerro a sessão do dia.. Tentando ser mais humano e menos bicho para tentar humanizar alguns bichos humanos. Será que essa é promessa que dá certo para o próximo ano ou faz parte do grupo citado lá no início? Veremos..

E para os poucos que leem aqui, bons ventos em 2010. Para os que não leem também. Voltem sempre. A varanda está sempre disposta a acolher quem o vento traz...


Até a próxima.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A cara do Brasil!!!!



Olá grandes, e ainda pouco numerosos, amigos da varanda! Estou de volta!
Li o último post, vi que era da Tamiris e pensei: “Está na hora de voltar também!” rsrsrs

Mas voltei também para colocar vocês, ainda que poucos, para refletirem se vivemos mesmo em uma democracia! Pesquisando sobre o tema encontrei a seguinte definição na internet: “Democracia vem da palavra grega “demos” que significa povo. Nas democracias, é o povo quem detém o poder soberano sobre o poder legislativo e o executivo.” Bem segundo esse conceito ficaria nas mãos do povo escolher os seus governantes, decidir o futuro do país, decidir o salário desses governantes, e escolher, mesmo fora das eleições, se o governante continua no Poder, ou não. Pois é, mas como estamos do Brasil, nada disso acontece, isso mesmo nada disso! Sim, porque os políticos agora são escolhidos em forma de leilão, “o que dá mais ganha!”, o futuro do país está fora de controle, guerras, tráfico, destruição de vidas, tudo isso que ninguém quer acontece. Bem a questão do salário dos governantes nem é necessário comentar né, tem político que em um mês ganha o que eu não irei ganhar em uma vida toda praticamente! Decidir se o governante fica ou sai do Poder é outro dilema, exemplo disso é o Sarney, todos queriam que ele saísse, mas ele não levantou de jeito nenhum daquela cadeira, e ainda zombou, e ainda zomba, até hoje da cara dos brasileiros. Vergonha? sim! Desrespeito deles? Talvez! Sim porque o grande culpado disso tudo somos nós que deixamos e fingimos que está tudo bem!

Um recente caso vergonhoso, mas que não é novidade alguma aqui no Brasil, foi o do prefeito Odair Silis, da cidadezinha de Monte Castelo, no interior de São Paulo, que foi flagrado, pela reportagem do JN, denunciado pelo dono de uma empresa que venceu a licitação para a construção de uma creche na cidade, pedindo propina para autorizar a continuação da obra, mas obrigando ao empresário a reduzir drasticamente o material a ser utilizado na obra. O pior é que, mesmo após o flagra, o prefeito teve a coragem de negar completamente que aceitou qualquer tipo de propina! Os moradores da cidade estão revoltados, mas, como sempre, ele continua no cargo até o julgamento final que pode terminar mais uma vez em Pizza!

Brasil de vergonhas, Brasil de guerras, Brasil de contrabando, Brasil de Copa do Mundo e Olimpíadas, mais obras imensas, mais dinheiro para o bolso dos políticos mais impostos para nós, mais vergonha para o Brasil!!

Quando será que poderemos dormir tranqüilos sabendo que cada centavo pago por nós está investido no seu devido lugar?

Ah e antes de ir, gostaria de propor uma brincadeira, vamos sugerir novas modalidades e provas para a Olimpíada de 2016? Para iniciar eu proponho a prova de “Levantamento de Bolo de Dinheiro” com essa o Brasil leva o ouro! Se não for roubado né... rsrsrs Dêem sugestões também, os políticos agradecem!!
Um abraço a todos e até a próxima, talvez não muito próxima (rsrs), aqui na Varanda!!

domingo, 1 de novembro de 2009

Ventos fortes... ventos calmos...

Sim, sou eu. Podem acreditar.
Peço desculpas aos meus caros amigos de blog e também aos poucos, porém interessados leitores da varanda. Estive sumida, quase inexistente nesse espaço por problemas familiares, de saúde, amorosos, depressivos... Enfim, como dizia Shakira em sua envolvente canção, Estoy aqui.

Bom, com tantas pedras no meu caminho, não poderia vir aqui falar de outra coisa que não seja essa constante mudança de acontecimentos em nossas vidas. Me diziam que o MC creu é um bosta, porém a velocidade cinco que ele inventou vem perturbando muita gente se pudermos fazer disso uma metáfora da vida. Confesso que essa velocidade às vezes me cansa.

Estive com uma pessoa muito querida internada durante 17 dias no CTI, eu desacreditei de tudo e todo mundo me dizia: “Tente tirar algo bom disso, tente fazer e ver coisas que te levante, você precisa ter força nesse momento” e tudo naquele momento era bem vindo. Chegava em casa, ligava a televisão e via a Sandra Anhemberg falando de avião que caiu, de guerra no Rio de Janeiro, bandido que derrubou helicóptero da polícia, não sei quantos mortos por causa de alguma enchente por aí e ao invés de me aliviar, eu me sentia ainda mais inútil. Meu pai naquele hospital, famílias sendo destruídas em algum canto do Brasil, filho enterrando pai, pai entregando o filho pra polícia e o mundo de cabeça pra baixo. Nessas horas da vontade de ser heroi, toda vez que meu pai pedia pra eu tirar ele de lá e minha mãe chorando saia do quarto, a vontade era de pegar ele nas costas e trazer pra casa. Mas trazer pra casa pra que? Pra ligar a televisão e ver sofrimento? Mais sofrimento? A casa da gente virou a casa do mundo, dentro da nossa casa acontecem guerras, mortes e dor e nem sempre são com nossos familiares. Tudo bem é o trabalho da imprensa e eu como estudante de jornalismo, sei disso, mas não é isso que queríamos ver na TV, porém vamos fazer o que? Diante da situação do meu pai comecei perceber que todo mundo é sujeito a estar numa cama de hospital por algum motivo, porque o meu pai era o mais forte, o mais saudável, o cara mais legal e estava lá, sem saber se era noite ou dia.
A resposta do que podemos fazer é simples, já que a gente não pode ser heroi e cuidar do mundo, vamos cuidar da gente e de quem a gente ama. Cuidar da nossa saúde, cuidar das nossas coisas. Talvez o peso que vem de fora não chegue tão pesado se estivermos respaldados das necessidades básicas do ser humano.
Quando meu pai saiu do CTI e foi pro quarto, parecia que ele havia nascido de novo e eu senti a mesma emoção que ele deve ter sentido quando eu nasci.
Dê valor pra sua família, não espere nada de ruim acontecer pra você perceber que podia ter feito mais.

Ventos fortes... Ventos calmos.
Meu pai ta aqui, bem graças a Deus e os médicos disseram que não sabem como, mas eu sei.
Fé e uma necessidade imensa de fazer tudo que eu não fiz em 20 anos.

Juro que não sumo.
Esse post foi um desabafo. Perceberam né? rs
Obrigada por me lerem e até breve.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

indivi-DUALISMO

Bons ventos. Bem vindos.
O último texto foi a chuva que trouxe. Hoje começo com uma frase que ouvi dentro do ônibus dois ou três dias atrás, enquanto outra chuva ameaçava começar a cair. Não virou temporal, foram só pingos e leves e nada mais. Eis a frase de uma senhora: "Podia pelo menos esperar eu chegar em casa pra começar a chover". Não vi o rosto da moça nem o tipo físico. E a chuva nem me interessava tanto no momento. Ainda estava com a janela aberta, não me incomodava em nada. Mas a frase ficou na cabeça.

Já molhei demais na última postagem, portanto dessa vez o assunto é a a voz da mulher ressoando na varanda. Fiquei me perguntando: quem seria aquela mulher a quem a chuva devia esperar chegar em casa para começar a cair? Por que logo ela? Seria uma escolhida pelo céu para comandar o tempo? Teria ela uma varinha mágica que, quando apontada para o céu, o tempo mudava conforme sua vontade e naquele dia a tal varinha estava em casa e uma criança brincando com os poderes mágicos? Com quem exatamente ela falou isso? Será que ela estava presente na criação do universo e aprendeu a criar a chuva? Tinha feito chapinha naquele dia? Ou será que era só uma senhora muito individualista? Vou escolher a última opção...

Já ouvi essa mesma frase inúmeras vezes saindo da boca de minha progenitora, não nego. Mas só quando essa voz disse isso reparei na indivualidade que ela traz. A chuva deve esperar que ela esteja protegida, já quanto aos demais... Molhem-se, fiquem ilhados, inundem suas casas, afoguem-se com cada uma das gotas, percam seus bens depois de temporais, fiquem resfriados e gastem com remédios, percam o incrível e caro resultado da chapinha marcada no salão há 15 dias. Entendi tudo isso naquela frase. Me senti ameaçado e preocupado. Será que foi comigo? Não, não exatamente. Foi comigo e com o resto do mundo. Mas, cara senhora desconhecida, fique sabendo que o resto do mundo, em algum momento, já desejou o mesmo pra ti.

Existem situações em que quase qualquer um esquece que o resto do mundo existe e só pensa na própria vida, ainda que isso interfira na vida dos demais. Indiretamente. Quantas vezes um barulho na casa do vizinho incomoda a ponto de querermos explodir a casa ao lado? Coitado, só está montando uma nova estante comprada em 12 vezes. Por que um acidente com um parente próximo e não com o chefe rabugento do escritório? Logo o chefe rabugento que não dirige embriagado como aquele parente... É a privação da felicidade alheia para nossa própria felicidade.

Queremos que o mundo faça tudo à nosso favor, que embeleze nossa vida, ainda que, volto a repetir, nem lembremos que há necessidades em volta no nosso umbigo. Não queridos, se alguém pode viver com muito conforto, viva. Mas que esse conforto não venha da infelicidade alheia. Ou que venha, se você definitivamente não é um humano direito. Quem sou para saber o que é agir corretamente ou não... Mas desconfio do que seja certo e do que seja errado. As aulas de Moral servem para alguma coisa. A vida serve para alguma coisa. As vidas servem!

Volto a imaginar a senhora da frase no ônibus, a toda poderosa, senhora tempestade... Será que ela se sentiria mal em saber que alguns não conseguiram sobreviver àquela que poderia virar tempestade? Sentiria pena? Mostraria tristeza? Compaixão? Diria "uma pena, coitado, por que não me mandou em seu lugar"? A mesma individualista, momentos depois pode se mostrar a mais "grupal" das criaturas, que só vive em comunidade e interage com todos, tratando a todos como trataria a si própria... Nossos personagens, nossas faces más e boas...

São momentos de ódio profundo, de alegria extrema, de individualidade, de companheirismo, de sim, de não, de posso, de não posso, de simplicidade, de vaidade... Pessoas diferentes uma das outras e inúmeras diferenças dentro de si mesmas... Momentos.. como cantava Raul "se hoje eu sou estrela, amanhã já se apagou; se hoje eu te odeio, amanhã lhe tenho amor... eu sou ator"

Não dói pensar na frase da senhora, confesso, foi uma frase tão simples, sem pensar muito... só segui até meu ponto, fechei a janela, dei o sinal, o ônibus parou e desci. Nada me aconteceu, acho que a chuva resolveu ser boazinha comigo... não molhou tanto.

Confesso.. não pensei nos que ainda ficaram no ônibus.

Acabo de me preocupar, o que será que aconteceu? Ah, não ouvi notícias.. acho que posso deitar tranquilamente a cabeça no travesseiro.


Já nossos companheiros do Executivo... não sei não, hein... vejo notícias todos os dias nos jornais...

Até a próxima. Bons ventos.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Chove lá fora e aqui...

Sete dias depois da última postagem, uma nova aparece. O número 7... Bem, pra mim não significa nada, foi apenas para iniciar a conversa. Ma se alguem de vocês, queridos leitores, se interessa por numerologia e prevê que com isso minha vida pode mudar, favor informar...

Como sempre, até por ser o nome do blog, foi o vento que me trouxe aqui para escrever e fazer idéias voarem. Mas o vento de hoje é diferente. Está acompanhado com a chuva. Escrevo isso porque hoje choveu muito por aqui e cheguei à conclusão de algo que já vinha desconfiando há tempos: o guarda-chuva serve apenas para proteger a sobrancelha durante essas grandes "quedas d'água".

A chuva chega e quase sempre não estamos preparados para ela. Não queridos, não vale dizer "tô sempre preparado, ando sempre com sombrinha na bolsa", isso é nada. Quem chegou primeiro, a água ou nós? Até onde entendo somos nós que devemos nos adaptar a ela... Pois bem, a chuva começa a cair, pequenos pingos, leves, sutis, nem assustam a quem precisa ir de um lugar a outro. "Essa é a chuva? Vou fácil..", diz algum suposto corajoso. Instantes depois e as gotas já estão mais largas e o volume muito maior. Vem o vento junto. A água batendo em telhas começa a fazer o som necessário pra mostrar a força da chuva. Agora o corajoso já não tem tanta coragem como tinha antes quando a chuva parecia um pequeno impecílio. A chuva aumentou e ainda há necessidade urgente de ir de um lugar para outro.

Ahá! Um guarda-chuva! Uma sombrinha! Uma arma, capa protetora do mal que a chuva pode trazer. Não, não adianta. Hoje vi que guarda-chuvas não servem para nada, ou quase nada já que protegem bem a sobrancelha.

A calça começa a pesar com a água que ela já tem. A camisa idem. Meias com dois litros de água cada uma. Tênis que parecem bacias de pedicures.

Mas no fundo a chuva que por uns istantes te deixam irritado por estar todo molhado, instantes depois te transformam numa pessoa melhor, com uma energia diferente. Um contato involuntário com a natureza que hoje some das cidades. O vento que te molha com a chuva é o mesmo que seca a roupa no varal depois. O ar que movimenta e faz mover a vida.

Leitores amigos, todos passam por chuvas quase do mesmo tamanho da contada na estória de Noé e saem com sorrisos nos rostos. A chuva passa tão rápido se levado em conta o tempo que o vento fica batendo até secar tudo e depois de secar continua soprando...

Cai chuva forte dentro dos bancos, dentro do senado, dentro do país, dentro das estações de trem no Rio de Janeiro... Chove dentro de mim, chove dentro de você, dentro de quem você ama. Mas o vento vem, o vento virá. Melhor acreditar nisso...


Mas se você disser que o número 7 significa que a afta que tenho na boca nesse exato momento vai sumir assim que eu acordar, por que não acreditar também?


Sigam sonhando e sentindo o vento bater na cara ou te molhar com a chuva. E acreditando.
Acreditando que aqui na varanda o vento sempre faz bem.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

E a boa nova andar nos campos

"Quando entrar setembro e a boa nova andar nos campos, quero ver brotar o perdão onde a gente plantou juntos outra vez..."
Setembro? Sim, setembro meus caros. Essa não é a melhor canção para o primeiro dia após setembro terminar. Seria esperança demais por um novo setembro ou seria um problema forte na cabeça que me faz achar que setembro está chegando e não acabando de ir embora? Bem, queridos leitores, penso que um pouco dos dois e mais outras coisas.

A música é de Beto Guedes e Ronaldo Bastos, para começar dando os devidos créditos. Hoje, primeiro de outubro, setembro acabou de ir embora. Foram 30 dias para escrever sobre o mês e, agora que acabou, aqui estou para falar dele. Não é algo como um conselho de classe das escolas nem um relatório de serviços feitos durante certo tempo. É só um mês que se foi e outro que chega.

Mas e quando entrar setembro? O mês traz a primavera (ou deveria trazer, em teoria, já que as mudanças climáticas andam estranhas), as flores, a beleza. É o tempo de renascer, de ressurgir, apagar a feiura das folhas caídas e levantar-se novamente, belo e forte. A primavera, tema de inúmeras poesias e canções. Sempre com uma metáfora tal qual em "primavera se foi e com ela meu amor". O que era belo acabou. Mas quando entrar setembro.. tudo vai mudar. Vai sim. Setembro vem aí.

Será que em 2001 aquelas pessoas imaginavam que quando setembro entrasse elas morreriam e o fato seria notícia em todo mundo? Imaginavam, provavelmente, que setembro entraria e, com as flores, mais vida. Nunca imaginariam que quando setembro entrasse e elas entrassem em um prédio um avião também entraria. Algo surreal ao pensar na poesia da primavera. "E a boa nova andar nos campos". Qual foi a boa nova nesse mês daquele ano? Sonhos que se foram em um setembro. "Muitos se perderam no caminho", continua a canção. A perda faz parte. Assim como aquelas pessoas foram para um lugar ainda desconhecido por nós, muitos setembros também se perderam no caminho.

E a indepêndencia que o mês trará? Ah, aguardo com ansiedade por isso. Quando entrar setembro a independência brasileira será total.. O sétimo dia do mês 7 do antigo calendário. O Brasil livre! Pensavam nisso meses antes da proclamação? Foi um setembro marcado na história e lembrado até hoje com aqueles desfiles políticos com crianças torrando no sol...

Quando entrar setembro... Setembro se foi. E é verdade aquela máxima "só damos valor depois que perdemos"?. Creio que sim em diversas situações. Setembro passou e nem percebi como foi bom pra mim. Agora foi embora e vejo que sinto falta dele... Mas a vida é assim. Vai embora um mês e vem outro. Outubro. Mas setembro voltará. Ainda terei chance de dizer a ele como foi bom pra mim.

Minha gente, nós somos os meses! Nós fazemos as primaveras e os outonos! As situações que a vida traz. Aguardamos por setembros, por janeiros, por novembros na expectativa de sermos melhores e aproveitar tudo que ele pode nos trazer e não fazemos. Pra que fazer já que logo logo outro mês de igual nome chegará?

E quando setembro chega e quer mudar tudo na sua vida? O que fazer? A primavera quer trazer uma nova flor que não estava nos planos, quer transformar, quer com uma brisa leve jogar o frio que existia para longe e plantar cores, perfumes. Esquecer tudo o que aconteceu no outono, quando as folhas estavam caídas, e correr em busca de uma flor? UMA flor apenas e nada mais. Você escolhe ou o vento te leva para o melhor caminho.

Siga suas estações e colha o que cada uma pode trazer. Aguarde setembro chegar com a primavera que você pode ter. Uma estação precisa da outra para existir. Assim somos também. Aguardamos a próxima sem saber o que pode chegar. São as surpresas, os encontros, os desencontros. Vamos aguardar setembro chegar então para ver a beleza da vida. Mas não esqueça que os outros meses sentem ciúmes, aplaudamos cada um deles quando chegarem e quando saírem, peçamos, façamos agradecimentos...


Setembro se foi e com ele o ENEM... Será que esperavam por isso? Uma virada de página gigante no último minuto do segundo tempo. É setembro com sua mania de mudar tudo de uma hora pra outra... Acostume-se.



Te vejo na varanda, com textos melhores que esse, espero...

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Uns tais versos mudos

Oi queridos senhores, senhoras, moças e rapazes, parece que aquela máxima de "no início tudo são flores" vale para esse humilde blog. Antes era uma postagem atrás da outra, um atropelando o outro.. e agora grandes espaços entre eles... Ah, acontece. Fazer o que... digamos que o relacionamento com o blog "caiu na rotina", já que é a desculpa mais usada. Mas diferente do que se espera o relacionamento não terminou. O caiu na rotina foi só desculpa pronta... então, o relacionamento continua e venho escrever... prontos? Vamos lá.

Ontem e hoje já ouvi as mesmas duas músicas várias vezes. E uma frase de cada uma delas me trouxe aqui. Parece que as letras se completam em algum ponto. E o ponto é esse: onde tudo se completa?

Não quero discutir gostos musicais nem saber se tenho bom ou mal gosto para música. Não sou grande fã de nenhuma das duas cantoras mas, como já disse, essas duas músicas estão ecoando aqui nos meus pensamentos. Marjorie Estiano e a recém descoberta pela grande mídia Myllena. As músicas são "Versos mudos" e "Quando".

Como na grande maioria das letras cantadas por pessoas com algum equilíbrio mental, essas duas trazem aparentemente o tema amor. Mas como não estou nem aí para o que aparentam trazer, quero continuar escrevendo os trechos que me chamam atenção. Não, não sou um robô sem coração que não se sensibiliza com músicas referentes ao amor. Só não quero falar sobre isso agora. Por enquanto. Ah, e quanto ao equilíbrio mental? Se eu quis dizer que alguém que canta "créu, créu, créu, créu" é desequilibrado? Você acha mesmo que eu diria isso? Sim, é isso que eu acho... passemos então.


"Quem será que pode completar esses versos mudos que escrevi?"
Gente, minha gente e gente que não é minha, escrevemos versos o tempo todo! Sou assim. Todos somos poetas. São poesias sem rimas, sem métrica, mas são poesias. São poesias com "pobremas" de escrita e de fala, são poesias ricas, pobres, gordas, magras, feias, bonitas, lindas. Poesias sem papel, sem caneta, sem lápis, sem tijolo. Somos poetas. Vivemos. Cada atitude, cada pensamento... um verso novo na vida.
Quantas vezes queremos falar e não falamos, queremos ouvir e não ouvimos, ver e não vimos... São os versos mudos. Eles existem. Mas são mudos! E agora? Bem, precisamos de alguém pra entender o verso. Alguém pra completar o verso. Um verso escrito apenas e nunca lido não é um verso completo. O brilhantismo da poesia está em sair de um lugar e tocar outro, tocar aquele que lê.
E esse "leitor" é o que falta em tantos e tantos momentos da vida. Uma emoção que passe daqui pra lá, de lá pra cá. Uma rima que nos encontre. Que termine o já iniciado. Um retorno.
Procuro as vezes alguém que complete alguns versos e fico em dúvida sobre quem rimaria melhor. Penso, repenso, vou ali, vou lá, apago, pronto! Sei quem pode rimar essa palavra melhor.

E a outra música me traz um "Você me acompanhava e me daria a mão?"
Você tem certeza de uma resposta positiva para essa pergunta feita a quantas pessoas? Esse trecho me fez parar para pensar nisso. Quem me responderia sim na mesma hora sem saber o destino do "acompanhamento"? Ainda não faço ideia...
Dar as mãos é o gesto mais sublime e bonito de mostrar "estou contigo" .. pra mim tem um significado de "pronto, me leve junto". Acompanhar não é só ir junto. Além disso é ajudar a crescer no caminho e ajudar a caminhar, não importando o que aconteça.
Quantos respondem "sim, te acompanho."...


Acho que a resposta para os versos mudos está nessa mesma pessoa que te acompanha e te dá as mãos. Não quero que pareça algo romântico com sons de violino... Mas uma pessoa que em certo momento te dá as mãos para chegar em algum lugar conseguiu completar os versos que faltavam. Conseguiu trazer a rima certa.
Uma senhora dá a mão a um garoto para atravessar a rua. A companhia dura até o outro lado. Lá as mãos se desencontram e os caminhos seguem. Mas os versos que a senhora fazia naquele instante foram preenchidos quando o garoto se ofereceu para ajudar a atravessar.
Um projeto aceito! Um aperto de mãos para parabenizar o jovem engenheiro. Seus versos de insegurança estão preenchidos agora.


Brasília tem tantos versos mudos. O estado tem tantos versos mudos... A cidade! Oh, e agora, quem será capaz de completá-los?
AH, mãos de alguns políticos não são tão confiáveis... não acompanhe qualquer mão por aí...

Te encontro na varanda!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Brava gente brasileira...

Olá a todos os leitores da varanda! Estive sumido, não pela gripe suína nem por outras questões de saúde, o problema é que os estudos e o trabalho enrolam a gente as vezes. Bem, sem mais delongas vamos ao que interessa...

Hoje, 7 de setembro de 2009, como em todos os anos, comemora-se o dia da independência do Brasil, ou seja, o dia que o Brasil deixou de ser colonia de Portugal e se tornou uma nação. Mas relatos mostram que o acontecido pode não ter ocorrido como imaginamos, como aquele belo quadro da Independência de Pedro Américo, que mostra D. Pedro em cima de um belo cavalo e que várias pessoas contestam dizendo que ele estava montado em um burrinho. Além de outros pontos que se formos colocar aqui em discussão o meu texto pode ficar maior do que os textos do meu amigo Fred... (rsrsrs)
Pois bem, o que me intriga é que nos dias de hoje ninguem mais sabe o que representa esse dia para nós, as crianças não sabem mais cantar os hinos municipais, estaduais e até nacional, que dirá o da independência que é cantado apenas uma vez no ano. Crianças vão para a avenida para marchar e o que se vê é uns olhando para o céu, outros acenando para um amigo que o gritou, uns mascando chiclete com a mão no bolso e até sambando.
Por outro lado não tiro muito a razão das crianças, porque o Desfile Cívico hoje em dia é mais um comício com propaganda das realizações do governo X e do goerno Y e enquanto as crianças estão debaixo de um sol escaldante os políticos, que a cada dia que passa estão menos desacreditados, ficam no palanque, com água gelada, cadeira e na sombra. Se virmos por esse lado, com a festa sendo para os políticos, seria muito melhor ficarmos em casa vendo TV porque graças ao nosso amigo Sarney, Lula e outros da turma de Brasília, e daqui da cidade também, a política está virando um monte de ... Prefiro não comentar...rsrsrsrs

Um abraço a todos e até a próxima (espero que bem próxima mesmo) aqui na varanda!!!